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A BILIO DINIZ FALA SOBRE GOVERNANÇA CORPORATIVA: o caso de sucesso do Grupo Pão de Açúcar
por SANDRO TAVARES SILVA - terça, 13 setembro 2016, 16:36
 
São Paulo: UNINOVE, Campus Vila Maria,
28 de outubro de 2004.
1ª Parte – trechos da palestra

ABILIO DINIZ (AD): Sou considerado um homem de sucesso, mas, se sou ou não, isso às vezes pouco importa; o que importa é que as pessoas me vêem assim, como homem de sucesso. O importante, penso, é nunca se esquecerem de que, como alunos de Administração e Marketing, a primeira coisa a observar é que é preciso estar atento a isto: existe o fato e a versão do fato e, normalmente, quando a versão do fato não corresponde à verdade, a mentira não se sustenta por muito tempo. Durante a vida vocês terão sempre de conviver com isso, principalmente aqueles que vão dedicar-se à carreira de marketing, convencer as pessoas, comunicar e transmitir mensagens. Vocês têm que se lembrar sempre disto: existe o fato e a versão do fato.

De qualquer forma, já que sou pelo menos considerado um cara que deu certo, que tem sucesso, a primeira coisa que vocês poderiam perguntar é: “Quais são as receitas para o sucesso?” Infelizmente talvez venha a frustrá-los – não tenho a receita. Inclusive, lá em nossa companhia, temos o hábito de colecionar frases e colocá-las em todas as paredes. No auditório temos algumas afixadas e uma delas, bem visível e de que gostamos muito, diz: “Uns sonham com o sucesso; nós acordamos cedo e trabalhamos duramente para atingi-lo.” Esta tem sido a realidade da minha vida: se eu alcancei sucesso foi com muito esforço e dedicação. O próprio negócio que abracei, a escolha que fiz – trabalhar no campo de distribuição – transformou-se num empreendimento de grande porte. Hoje nossa empresa tem quase 600 lojas, emprega 70 mil pessoas, movimenta cerca de 22 mil toneladas de mercadoria por dia (o equivalente a 1200 carretas) e vai vender este ano mais de 15 bilhões de reais – é uma das maiores do país. Agora, para conseguir tudo isto, não basta apenas inspiração, mas também muita transpiração, isto é, muito esforço e dedicação, aí está a chave do sucesso. Tudo isso para transmitir a vocês o seguinte: a vida não é fácil, a gente tem que lutar muito, e essa luta nos traz a recompensa.

Agora, o importante é sentirmos que, embora não seja fácil, a vida pode ser muito bonita se soubermos olhá-la com amor, com dedicação, buscando sempre o caminho da felicidade. Vou contar para vocês um pouquinho da minha história e espero que, com isso, possa passar algumas coisas para vocês. No entanto, não gostaria de ficar o tempo todo falando; gostaria que o microfone circulasse e que vocês também falassem comigo, que me perguntassem coisas, expressassem suas ideias, pois acredito que o diálogo enriqueça nossa conversa e fico mais feliz com isso. Ora, acho que a coisa mais forte que tenho dentro de mim é a minha fé. Fui introduzido na religião por meu pai e minha mãe, mas não sei bem por que, depois de os meus irmãos nascerem – somos seis e, entre mim e o segundo, há uma diferença de mais de sete anos –, meus pais deixaram de ir à igreja.

Lembro-me de que, quando pequeno, morava na Avenida Brigadeiro Luiz Antônio e subia aquela avenida toda para ir sozinho à missa na Imaculada Conceição. Não sei o porquê disso, não tenho explicação, só digo a vocês que uns acreditam e valorizam, outros não. Para mim, a maior força é a fé, e eu a tenho; agradeço a Deus o fato de me ter feito forte e saudável, com algumas características que julgo de suma importância em minha vida: determinação e muita disciplina, o que me ajudou a superar toda sorte de dificuldades.

Convém, neste momento, fazer alguns recortes. Eu era pré-adolescente, por volta de meus 10 anos, baixinho, gordinho, redondinho e me sentia totalmente fragilizado, inferiorizado. À época, meu pai tinha uma padaria na Liberdade, ali no alto da Vargem do Glicério, que hoje está muito diferente. Para facilitar as coisas, quando saí do primário, ele me colocou no Colégio Anglo Latino (que já desapareceu, mas que deu origem ao curso Anglo, que vocês todos conhecem) ali mesmo na Vargem do Glicério, onde passei a conviver com uma classe social bem baixa, com meninos muito agressivos, acostumados à rua, a uma vida mais rude; e eu, filho único até os 7 anos, de repente caí naquela selva, o que tornou os primeiros tempos de minha vida naquele colégio extremamente difíceis, pois parece que a diversão da turma consistia em, pela manhã, bater no amigo; à tarde, bater no amigo e à noite, para variar, bater no amigo – o baixinho e gordinho, para eles, era uma festa.

No entanto, como diz o ditado, não há mal que sempre dure nem bem que nunca se acabe. Um dia as coisas começaram a se modificar um pouco e fui me transformando. Precisava dar a volta por cima, acabar com aquele bate/apanha em que só eu levava a pior. É bom lembrar que, naquele período, as coisas eram mais difíceis, meu pai era muito duro comigo e dizia: homem não chora. Por isso, nem chorar podia, mesmo chegando machucado todo dia em casa. Eu saía do colégio, pegava o bonde, passava pelo centro da cidade, pela Rua Quintino Bocaiúva e ia a vários lugares que talvez não mais existam, lugares que o Ricardo (Galuppo), que me ajudou a escrever o livro, conheceu e investigou. Naquela rua havia um prédio que tinha duas academias, uma era a academia Ono de judô, caratê, e a outra a academia de boxe dos Zumbano. Passei por ali um dia, vi aquele negócio e disse: “Puxa! é aqui mesmo que eu vou ficar.” Lá entrei e comecei a praticar um esporte realmente voltado para defesa (que, às vezes, é agressão), mas um esporte que, àquela altura, para mim parecia de sobrevivência.

Realmente, a atividade transformou meu convívio com os meninos da escola: eu, que apanhava todo dia, passei a bater. O fato é que esse episódio trouxe duas coisas importantes para mim, uma positiva e outra negativa: de um lado, o convívio mais direto com o esporte me permitiu perceber as possibilidades do trabalho físico, isto é, quanto você podia modificar seu corpo, quanto podia ficar forte, quanto podia crescer; de outro, uma agressividade totalmente indevida, indesejada, além da arrogância e prepotência que me acompanharam por boa parte da minha vida, das quais só consegui me libertar depois de muitos e muitos anos. Foi um período realmente muito importante, mas afirmo que nunca fui ‘do mal’, sempre fui uma pessoa do bem, até, felizmente, pela formação baseada na fé.

Vamos avançar mais um pouco: uma coisa que sempre foi muito importante para mim e que fez com que as coisas dessem certo foi a capacidade de tomar decisões corretas no momento adequado. A primeira decisão, talvez a mais importante, foi ter feito Administração na Fundação Getúlio Vargas, como vocês que estão fazendo agora na UNINOVE. Fui aluno da segunda turma da Escola de Administração de Empresas aqui em São Paulo, no tempo que ela não ficava na Av. Nove de Julho, onde é hoje, mas na Rua Martins Fontes, no centro da cidade, no antigo prédio da Delegacia Regional do Trabalho. Naquele tempo, a técnica do business administration criada pelos norte-americanos era uma coisa nova no país e até em desenvolvimento no mundo. Os professores da GV vinham da Michigan States University e os professores brasileiros iam para lá aprender os métodos administrativos, isso no fim do anos 50. Tudo era muito novo naquele tempo e realmente me encantei com o que estava aprendendo na escola com os professores. Havia um que tinha sido piloto de caça durante a Segunda Guerra Mundial, eu achava aquilo a coisa mais linda do mundo, o cara estava ali me ensinando. Já que não tinha muita coisa para fazer aqui – havia poucas possibilidades de emprego no país naquele tempo –, decidi reunir o dinheirinho que tinha e ir para Michigan fazer MBA, doutorado, queria ser professor, tinha direcionado minha vida para essa carreira. Eu estava com tudo, estava com a apllication (inscrição) na Michigan University.

À época, meu pai tinha uma doceira, na qual, aliás, eu trabalhava – coisa que me dava algum dinheiro para viver modestamente, mas nenhuma satisfação. Então, ele me chamou e disse: olha, estou com ideia de montar um supermercado numa loja que fiz (ele tinha construído um predinho na Brigadeiro Luiz Antônio). Embora não soubesse exatamente do que ele estava falando, fui investigar o que era aquela história de supermercado. Naquele tempo, existiam dez lojas de supermercados na cidade de São Paulo, oito pertencentes a uma rede chamada Peg-Pag e mais duas pertencentes ao Sirva-se. Fui olhar aquilo, passei a observar como se fazia a distribuição de produtos na cidade de São Paulo e descobri que ali estava uma grande oportunidade de fazer alguma coisa diferente e, principalmente, melhor do que estava sendo feito. Esqueci os meus estudos e procurei conhecer detalhes do negócio que viria abraçar com determinação e no qual estou até hoje. Foi a grande decisão de minha vida, pois fiquei e deu certo, mas sem abandonar a ideia de ser professor e desenvolver meu lado acadêmico, o que não cheguei a concretizar, envolvido que estava com minhas atividades de administrador.

Voltei aos EUA, em 1965, e fiz um curso de marketing que me foi extremamente importante; em seguida, estudei economia na Columbia University para matar, pelo menos, aquele gostinho de fazer aquilo que a princípio desejara, e também saborear a oportunidade de continuar os meus estudos. As noções de marketing adquiridas no curso instigaram-me a dinamizar meu trabalho e buscar coisas novas e modernas para levar avante meu empreendimento. Fui para a Europa e para os EUA ver o que estava sendo feito em países mais desenvolvidos; procurei trazer as melhores técnicas de gestão para cá e desenvolvê-las ainda mais aqui no país – a coisa deu certo. Isso foi em 1959; basta lembrar que, no fim desse ano, abrimos a primeira loja e, dez anos depois, tínhamos mais de 50. Nessa época, meu pai recebeu um convite do governo português para abrir lojas em Portugal e, como muitas coisas na minha vida aconteceram assim, ele me chamou e perguntou o que eu achava.

Disse-lhe que iria a Portugal para sondar o mercado. Lá chegando, verifiquei que o país estava na idade da pedra em matéria de distribuição e que poderíamos revolucionar o mercado se levássemos para lá nossa experiência, que era nosso diferencial. Aceitamos o desafio e, em poucos anos, conseguimos desenvolver uma grande companhia lá, claro que não tão grande quanto a nossa rede no Brasil. Mais uma vez decidi aproveitar a oportunidade, mas como nem tudo sai conforme planejado, cinco anos depois, em 1974, ocorreu em Portugal a Revolução dos Cravos. Em consequência, nossa companhia foi estatizada e entregue às comissões de trabalhadores. Contrariando voz corrente na família, que nos aconselhava a abandonar tudo, decidi que deveria continuar lutando pelo investimento feito, ou seja, recuperar a companhia, o que foi conseguido três anos depois com a mudança política no país, que passou a ter um regime socialista no estilo da social democracia europeia.

Essa decisão foi de fundamental importância, pois mais tarde, em 1992, graças à companhia em Portugal, conseguimos sair da crise em que mergulháramos em 1989/1990. Convém traçar aqui o histórico da crise para que vocês compreendam o processo. No fim dos anos 70, meus irmãos começaram a chegar à companhia e, como era uma empresa familiar, apesar de eu ter feito todo o trabalho, meu pai foi repartindo o empreendimento em ‘capitanias hereditárias’, dando a cada filho seu quinhão. Com isso, instaurou-se ali uma grande confusão administrativa, o que para mim foi um choque. Eu que, durante anos, mantivera a companhia como uma empresa de ponta, com profissionais de grande competência, de repente via todo o poder e hierarquia contestados, porque em matéria de poder, em matéria de administração, as regras são muito simples: manda quem pode, obedece quem tem juízo. Mas no meu caso isso não era possível, pois eu não tinha poder suficiente, pulverizado com a entrada de meus irmãos e a divisão feita; aliás, ninguém dispunha de poder suficiente para manter a hierarquia e a estabilidade da empresa. Como não conseguia dar sequência ao meu projeto, aceitei o convite para assumir um cargo no Conselho Monetário Nacional, que me fora feito, à época, pelo ministro da Fazenda Mário Henrique Simonsen.

Assumi e passei a dedicar boa parte de meu tempo às atividades em Brasília, deixando de me preocupar com o Pão de Açúcar. Passaram-se dez anos. Em 1989, meu pai me chamou novamente e me pediu que fizesse alguma coisa pela companhia, pois ela estava dando demonstrações claras de fragilidade. Acolhi o pedido e retornei. Assumi a direção da empresa e tentei fazer um programa de reestruturação e reerguimento, mas não deu tempo porque, logo em 90, veio o governo Collor com o sequestro da poupança e uma série de medidas de grande impacto, instaurando uma enorme recessão no país. O Pão de Açúcar, frágil como estava em decorrência de uma situação conjuntural totalmente adversa, não resistiu e quase desapareceu. Posso dizer que esse foi o período mais difícil de minha vida, pois nele ocorreram os três grandes episódios traumáticos: a quase quebra da empresa, o conflito familiar e o sequestro.

Fui sequestrado em dezembro de 1989, época em que havia uma onda de sequestros e os Diniz eram vistos como membros de uma família com muito dinheiro, pois as lojas vendiam muito, movimentavam grandes somas. Eu sabia disso, sabia do risco que corríamos e, por isso, pus segurança para minha família. E para mim? Imagine! Um homem forte, briguento, esportista, quem vai se meter com um encrenqueiro como eu, e mais, treinado por israelenses. Atirar eu atiro bem, trazia arma do lado da perna, imagine: arrogante, prepotente como eu era, não me passava pela cabeça que alguém viesse a se meter comigo. As pessoas que me assessoravam na segurança me alertavam, falavam dos pontos onde poderia acontecer o sequestro – e foi exatamente assim.

Numa determinada manhã, ao sair com meu carro, encontrei uma ambulância atravessada na rua; pressentindo o sequestro, procedi da forma como havia sido treinado: cheguei bem perto da ambulância, abri a porta lateral deixando-a como proteção, saquei a arma, apontei para os caras, mas um outro carro veio por trás, bateu no meu e me desconcentrou totalmente. Eles eram profissionais, altamente profissionais. Houve briga de rua, rolamos não sei por quanto tempo, mas acabei sequestrado, posto num buraco debaixo da terra, completamente sem ar. Eles haviam feito um caixote debaixo da terra, com um buraco em cima, e do lado de fora tinha um ventilador que jogava ar por esse buraco para dentro do caixote, mas era insuficiente, eu tinha que levantar toda hora para respirar, pois ficava tonto com a falta de ar. Era uma situação de enlouquecer e a única coisa em que eu pensava era que iria morrer. É interessante porque, quando você se vê frente a frente com a morte – acho que acontece com todas as pessoas –, você faz um balanço da sua vida, começa a olhar o que você é, o que faz, fez e o que deixou de fazer. Foram momentos de muita tensão, principalmente porque eu não sabia de que forma morreria, não sabia se ia enlouquecer, se ia atacar o guarda que entrava uma vez por dia para levar alimento. No começo, não conseguia nem rezar, embora tivesse fé. Entretanto o tempo foi passando e quando senti que começava a fazer contato com Deus, pedi-lhe que não me deixasse perder a fé. Coincidência ou não, ou milagre, só sei que as coisas começaram a melhorar, pois em pouco tempo conseguiram pegar alguns dos seqüestradores, e os que estavam comigo ainda tentaram resistir, usando-me como escudo, mas se renderam.

Quero dizer que todas essas coisas que ocorreram em minha vida me marcaram muito, pois me fizeram aprender bastante. A arrogância e a prepotência, aos poucos, foram dando lugar à humildade. Passei a enxergar a vida de uma forma completamente diferente e descobri que a beleza está do outro lado, está na bondade; a grandeza está na humildade, o bom é saber ouvir, saber compreender, conciliar e não atacar – a beleza está em você realmente poder olhar para o mundo com outros olhos e dizer: “o mundo é bom e, se nós ajudarmos, vai ficar melhor ainda.” Desse tempo para frente, tenho cada vez mais perseguido esse caminho, que é lutar pela felicidade, procurar realmente ser feliz e, se possível, ajudar as pessoas a serem felizes; e aí está a razão principal do meu livro, tentando atingir o maior número possível de pessoas.

Eu gostaria de contar alguma coisa para vocês que está no livro. Nos 3 capítulos iniciais, falo sobre esporte, alimentação e combate ao estresse. Nos outros três, falo de questões de ordem: autoconhecimento, espiritualidade e fé, a força que eu tenho e que acho que as pessoas podem conseguir acreditando em algo superior. Se pudesse resumir em algumas máximas, seriam as seguintes:
• alimentem-se adequadamente;
• planejem suas atividades;
• estabeleçam prioridades;
• sejam persistentes, determinados;
• respeitem limites, principalmente os do corpo;
• pratiquem esporte;
• amem tudo o que fazem;
• trabalhem com prazer e...
• nunca percam a fé.
Imagem de SANDRO TAVARES SILVA
Como a internet das coisas vai atropelar o capitalismo
por SANDRO TAVARES SILVA - quinta, 19 fevereiro 2015, 10:05
 

A web deve dar origem já nas próximas décadas a um novo sistema econômico com base em trocas e colaboração

18/02/2015 - 08H02/ ATUALIZADO 08H0202 / POR ANDRÉ JORGE DE OLIVEIRA09:48

Nos últimos 300 anos, o mundo passou por duas revoluções industriais: a primeira liderada pela Inglaterra no fim do século XVIII, e a segunda, pelos Estados Unidos, algumas décadas depois. O pioneirismo transformou esses paí­ses em potências mundiais.
De acordo com o pensamento do economista norte-americano Jeremy Rifkin, foi dada a largada para uma nova corrida industrial entre as nações, e desta vez a Alemanha saiu na frente. Guru de executivos e chefes de estado, como a alemã Angela Merkel, Rifkin explica em seu último livro, The Zero Marginal Cost Society: The Internet of Things, the Collaborative Commons, and the Eclipse of Capitalism (A sociedade do custo marginal zero: a internet das coisas, os bens comuns colaborativos e o eclipse do capitalismo), como a internet das coisas está dando origem à economia do compartilhamento, que deverá superar o capitalismo até a metade do século.
P: O senhor diz que o capitalismo vai ser colocado em segundo plano pela economia colaborativa. Muita gente se assusta com a ideia de um mundo onde o capitalismo não é o único caminho?
Sim, mas talvez o mesmo tanto de pessoas ache essa possibilidade intrigante e mesmo esperançosa. O capitalismo está dando à luz uma espécie de filho, que é a economia do compartilhamento e dos bens comuns colaborativos. Ela é o primeiro sistema econômico a emergir do capitalismo desde o socialismo no século XX. Nós viveremos em um sistema econômico híbrido, composto pela economia de troca no mercado capitalista, e pela economia do compartilhamento.

P: O senhor considera o capitalismo obsoleto para as necessidades atuais?
De tempos em tempos, novas revoluções tecnológicas emergem para gerenciar mais eficientemente a atividade econômica. Creio que agora estejamos em um longo e perigoso “fim de jogo”, um pôr do sol da segunda revolução industrial. Em 1905, 3% da energia era utilizada na cadeia de produção e 97% era perdida. Em 1980 tivemos um pico de 18% de eficiência, e parou nisso. Estamos empacados. O que está acontecendo agora é que estamos no curso de uma terceira revolução industrial. A internet das coisas vai conectar campos de agricultura, linhas de produção de fábricas, lojas de varejo e armazéns, veículos autônomos e casas inteligentes. É uma transição épica, que pode conectar a raça humana inteira em tempo real e nos mover para uma produtividade extrema, com custo marginal baixo ou mesmo zero em todos os setores da economia.

P: O senhor acha que os Estados Unidos continuarão sendo a maior potência nesse novo sistema?
Os líderes agora são a Alemanha e a China. Os chineses entenderam que os britânicos lideraram a primeira revolução, e os norte-americanos, a segunda, e que essa era a chance deles.
P: O senhor sugere que essa transição de paradigma do capitalismo para os bens comuns colaborativos vai ocorrer de maneira suave, e não como as grandes revoluções políticas que já acompanhamos. Não existem pessoas e instituições interessadas em estancar esse processo de mudança?
O que está acontecendo é uma mudança fundamental na forma como as gerações mais novas pensam. Não se trata apenas de os jovens estarem produzindo e compartilhando seu próprio entretenimento, notícias e informações, eles também estão começando a compartilhar todo o resto – carros, roupas, apartamentos. A internet permite que eles eliminem os agentes intermediários e criem uma cultura do compartilhamento. As gerações mais novas não querem ter um carro, isso é coisa do vovô. Os millenials das gerações mais novas querem acesso, e não posse. Eles estão realmente começando a ver a si próprios como parte de uma grande família humana, e as outras criaturas em certa medida também como parte dessa mesma família.09:48
Há interesses poderosos, governos e indústrias querem ter voz, mas o que realmente me preocupa são as companhias de internet. Eu adoro o Google, uso todos os dias, mas ele já assume a forma de um monopólio global. O mesmo acontece com o Facebook. A pergunta é: o que fazer? No século XX, mantivemos no mercado privado companhias de eletricidade, telefônicas, gasodutos, coisas de que todos precisavam – mas regulamos suas atividades por meio do governo. Seria ingênuo acreditar que essas empresas privadas tão grandes e importantes, que estabeleceram bens de que gostamos e que queremos, não serão reguladas por alguma forma de autoridade global.
P: No livro, o senhor concebe essa nova sociedade como uma “civilização empática global”. Por quê? DICIONÁRIO RIFKIN Entenda alguns dos conceitos mais usados pelo economista: TERCEIRA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL: processo desencadea­do pela internet das coisas, liderado pela Alemanha e pela China. Deve promover níveis de produtividade e eficiência energética sem precedentes, reduzindo os custos de bens e serviços e consolidando a economia do compartilhamento e dos bens comuns colaborativos.
CIVILIZAÇÃO EMPÁTICA: termo criado para se referir à nova civilização que Rifkin acredita que deverá surgir a partir do processo de transição pelo qual estamos passando. Trata-se de uma mentalidade não mais adaptada ao capitalismo, mas à economia do compartilhamento. É uma visão que concebe a humanidade como uma única família e o planeta ou a biosfera como a comunidade que se compartilha.
CUSTO MARGINAL: conceito econômico que se refere à variação no custo total de produção quando se aumenta a quantidade produzida de bens. O custo marginal zero representa uma situ­ção ideal de produtividade, na qual se pode fabricar mais objetos sem pagar mais por isso, reduzindo drasticamente o valor final do produto, que pode até ser compartilhado gratuitamente.


Fonte: http://revistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2015/02/como-internet-das-coisas-vai-atropelar-o-capitalismo.html
Imagem de SANDRO TAVARES SILVA
Aprender Cança. Pensar Dói: procuram-se estudantes
por SANDRO TAVARES SILVA - quinta, 11 dezembro 2014, 09:42
 

Além do mico-leão-dourado e do lobo-guará, outro mamífero tropical parece caminhar para a extinção

Por Thomaz Wood Jr.

publicado originalmente em Carta Capital (10/04/2014)

Diz-se que uma espécie encontra-se ameaçada quando a população decresce a ponto de situá-la em condição de extinção. Tal processo é fruto da exploração econômica e do desenvolvimento material, e atinge aves e mamíferos em todo o planeta. Nos trópicos, esse pode ser o caso dos estudantes. Curiosamente, enquanto a população de alunos aumenta, a de estudantes parece diminuir. Paradoxo? Parece, mas talvez não seja.

Aluno é aquele que atende regularmente a um curso, de qualquer nível, duração ou especialidade, com a suposta finalidade de adquirir conhecimento ou ter direito a um título. Já o estudante é um ser autônomo, que busca uma nova competência e pretende exercê-la, para o seu benefício e da sociedade. O aluno recebe. O estudante busca. Quando o sistema funciona, todos os alunos tendem a se tornar estudantes. Quando o sistema falha, eles se divorciam. É o que parece ocorrer entre nós: enquanto o número de alunos nos ensinos fundamental, médio e superior cresce, assombram-nos sinais do desaparecimento de estudantes entre as massas discentes.

Alguns grupos de estudantes sobrevivem, aqui e acolá, preservados em escolas movidas por nobres ideais e boas práticas, verdadeiros santuários ecológicos. Sabe-se da existência de tais grupos nos mais diversos recantos do planeta: na Coreia do Sul, na Finlândia e até mesmo no Piauí. Entretanto, no mais das vezes, o que se veem são alunos, a agir como espectadores passivos de um processo no qual deveriam atuar como protagonistas, como agentes do aprendizado e do próprio destino.

Alunos entram e saem da sala de aula em bandos malemolentes[1], sentam-se nas carteiras escolares como no sofá de suas casas, diante da tevê, a aguardar que o show tenha início. Após 20 minutos, se tanto, vêm o tédio e o sono. Incapazes de se concentrar, eles espreguiçam e bocejam. Então, recorrem ao iPhone, à internet e às mídias sociais. Mergulhados nos fragmentos comunicativos do penico digital, lambuzam-se de interrogações, exclamações e interjeições. Ali o mundo gira e o tempo voa. Saem de cena deduções matemáticas, descobertas científicas, fatos históricos e o que mais o plantonista da lousa estiver recitando. Ocupam seu lugar o resultado do futebol, o programa de quinta-feira e a praia do fim de semana.

As razões para o aumento do número de alunos são conhecidas: a expansão dos ensinos fundamental, médio e superior, ocorrida aos trancos e barrancos, nas últimas décadas. A qualidade caminhando trôpega, na sombra da quantidade. Já o processo de extinção dos estudantes suscita muitas especulações e poucas certezas. Colegas professores, frustrados e desanimados, apontam para o espírito da época: para eles, o desaparecimento dos estudantes seria o fruto amargo de uma sociedade doente, que festeja o consumismo e o prazer raso e imediato, que despreza o conhecimento e celebra a ignorância, e que prefere a imagem à substância.

Especialistas de índole crítica advogam que os estudantes estão em extinção porque a própria escola tornou-se anacrônica, tentando ainda domesticar um público do século XXI com métodos e conteúdos do século XIX. Múltiplos grupos de interesse, em ação na educação e cercanias, garantem a fossilização, resistindo a mudanças, por ideologia de outra era ou pura preguiça. Aqui e acolá, disfarçam o conservadorismo com aulas-shows, tablets e pedagogia pop. Mudam para que tudo fique como está.

Outros observadores apontam um fenômeno que pode ser causa-raiz do processo de extinção dos estudantes: trata-se da dificuldade que os jovens de hoje enfrentam para amadurecer e desenvolver-se intelectualmente. A permissividade criou uma geração mimada, infantilizada e egocêntrica, incapaz de sair da própria pele e de transcender o próprio umbigo. São crianças eternas, a tomarem o mundo ao redor como extensão delas próprias, que não conseguem perceber o outro, mergulhar em outros sistemas de pensamento e articular novas ideias. Repetem clichês. Tomam como argumentos o que copiam e colam de entradas da Wikipédia e do que mais encontram nas primeiras linhas do Google. E criticam seus mestres, incapazes de diverti-los e de fazê-los se sentir bem com eles próprios. Aprender cansa. Pensar dói.

Fonte: http://recortesdotodo.com/2014/04/10/aprender-cansa-pensar-doi/



[1] Adj. despreocupado, boêmio, malandro, preguiçoso, desinteressado
Termo cunhado pela contra-cultura juvenil, festejando a inobjetividade da vida.

Sugiro que sejam vistos os videos disponíveis no menu à esquerda e que sejam lidas as matérias postadas diariamente no site. Essas matérias são especialmente selecionadas com o objetivo de fornecer a vocês relevantes informações sobre gestão e que lhes capacitará sobre importantes assuntos necessários à formação e aprimoramento de Administradores.

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